segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Banda Sonora



Banda sonora de um Verão que não vai ser esquecido...

domingo, 24 de agosto de 2008

Para ninguém em especial


Brincar com palavras,

Brincar com letras,

Mexer com sentimentos.

Bater com palavras,

Sofrer e calar.

Quando acabam as letras,

Quando tudo já foi dito,

O passado fica distante,

Perdido, quase esquecido.

Resta o presente,

O merdoso presente…

Anseio pelo futuro

Em que o presente seja passado,

Onde não passes de uma lembrança.

Ter palavras outra vez,

Saber brincar de novo.

Quero-te mal

Quero-te bem

Quero-te fora da minha vida!

Saltar, pular, gritar,

Ser um adolescente apaixonado.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

ANTI-REPRESSIVOS


Porque não/ Esquecer o coração
Porque não/ Pecar sem ter perdão
Perder toda a razão/ Porque não

Porque não/ Um filme sem guião
Porque não/ Um tema sem refrão
Cantar esta canção/ Porque não

Porque não/ Pular com a mutidão
Porque não/ Sorrir da solidão
Gritar na escuridão/ Porque não

Por aqui, por aí, porque sim
Sem ter aprovação
Sou o normal e sou a loucura
Não me peçam para ter razão

Porque não/ Um mundo e um nação
Porque não/ Sem bomba no Islão
Nem fome no Sudão/ Porque não

Porque não/ Guardar a confisão
Porque não/ Umbigo sem cordão
E Eva ser Adão/ Porque não

Quero mais de ti, quero mais de mim
Quero mais de toda a gente, que todos juntos façam frente
Que os mudos gritem alto que todos façam algo
Que torne o coração mais quente
Convençam o vizinho que ninguém ganha sozinho
Que a batalha é muito dura e será dente por dente.
Comer comida "light" para que a roupa nos assente
O corpo está saudável mas a mente está demente.
Que consciência é esta que finge que não vê.
A fome é bem real e não é só na TV
A esperança nunca morre a não ser para quem não come
A guerra não perturba a não ser a quem não dorme.

*donna maria

A Verdade


“Numa época de universal engano, dizer a verdade constitui um acto revolucionário”

*george orwell

Devaneio

Muito sol e uns óculos de sol,
Música que me faça vibrar,
Um livro que me carregue ao colo,
Alguém para abraçar e rir e
Uma vez por outra afastar-me da realidade num copo de vinho.
Assim já sou feliz :)

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Qualidade de Estrela?

Mais Um Cigarro


Que nervos, mais uma vez ela está atrasada, já há quarenta minutos que espero por ela sozinho nesta mesa deste restaurante que nem sequer fui eu que escolhi. Estava desejoso de comer aquele caril fantástico do meu restaurante tailandês preferido e apenas aceitei vir aqui para lhe fazer a vontade… e nem assim ela tem a decência de chegar a horas, estou capaz de a matar. Aí chega, vindo a sorrir como se eu lhe fosse sorrir de volta! Pede desculpas, mas quase não a oiço, sei que é mais uma culpa de alguém que não ela, sei que não é importante e para evitar mais chatices simplesmente não oiço. Ao menos podia vir melhor vestida, já que se atrasou tanto…não sei o que se passa com ela, ultimamente anda sempre feita maltrapilha, não foi com esta gaja que eu comecei a namorar. Antes andava toda arranjadinha, sempre produzida, dava gosto passar horas a olhá-la… Agora?... Quem me dera que o restaurante tivesse uma televisão bem grande atrás dela para que eu não tivesse que a ver sequer. Lá está ela a falar do seu dia outra vez, como se alguém se pudesse mesmo interessar pelo mundo insondável, misterioso e estimulante de um laboratório de farmacologia! Faz-me um favor e enfia essa salada de uma vez pela boca a dentro para ver se eu tenho dois minutos de silêncio. De silêncio sim, porque sei que o tempo não chega para eu falar, já percebi isso há uns meses. Mesmo quando mostras algum interesse, assim que eu começo a falar algo mais importante surge e tens de me interromper… E que cheiro é este? Pergunto-te se te cheira a algo estranho e tu dizes que não. Mas o cheiro continua aqui…ah! É o teu novo perfume, aquele que eu já disse que não gosto muito, mas tu insistes que te faz sentir mais mulher, mais confiante. Mas eu tive de mudar de after-shave porque o meu te deixava enjoada e claro que foste tu que escolheste o que uso agora. Neste momento temos os dois cheiros que eu não suporto, tu vestes-te de maneira diferente, falas de coisas diferentes, as tuas grandes aventuras de hoje são as partidas do laboratório em que trocam os químicos uns aos outros. Perdeste o interesse em cinema, dizes que tens muito pouco tempo livre para o perder numa sala escura a ver um filme. Tenho dúvidas de quais são os nossos interesses em comum neste momento, de que falaríamos se conversássemos realmente. Sabes perfeitamente que fumo sempre um cigarro entre o prato e a sobremesa e ainda assim continuas a fazer-me invariavelmente o mesmo olhar reprovador. Ainda por cima estou nervoso e fumo um segundo e o teu olhar intensifica-se e quase que me fulminas. Azar! Partilhamos um petit gateaux com sorbet de limão, pedimos dois cafés e eu fico cada vez mais ansioso e nervoso, tenho de falar contigo e não sei como o fazer, só me apetece fugir. Correr para bem longe e fechar-me num sítio escuro a chorar como fazia em pequeno quando a minha mãe me ralhava. Olho para ti, olhas-me de volta e percebes que algo se passa, perguntas-me o que foi e eu digo para teres calma. Olhamo-nos mais uns minutos em silêncio e a tensão vai crescendo e tornando o ar cada vez mais pesado. Não sei se vou ser capaz de fazer isto hoje, aqui, como muitos sabem não é fácil… A tensão vai aumentando e quando percebo que ela não vai aguentar muito mais naquele estado decido-me a actuar e digo-o simplesmente:

- Queres casar comigo?

segunda-feira, 14 de julho de 2008

De Volta

Perdido da civilização,longe de computadores e internet foram muitos os posts que ficaram por escrever... Tanta coisa aconteceu nestes dias,tem sido um pouco como uma montanha russa de acontecimentos e emoções dos quais não tenho tempo para falar de todos agora... Voltei ao meu país de armas e bagagens,para ficar e começar toda uma vida nova custosa e trabalhadora.Fui passar uns dias à minha cidade natal,começou bem,a ver todos os meus amigos e família e a divertir-me muito!Encontrei o meu ex-namorado e fiquei com uma vontade louca de lhe saltar para cima...para logo dois dias depois saber que nunca mais me quero envolver com ele.Reencontrei pessoas que adorei rever e aproximar-me.Vim para Lisboa e tudo continuou bem,encontrei mais amigos,enrolei-me com um professor de bioquímica da Faculdade Nova de quarenta e um anos e no meio de muitas festas ainda consegui andar aos beijinhos a uma das minhas melhores amigas...Têm sido duas semanas muito boas,mas ao mesmo tempo algo estranhas...Estou bem,feliz e contente e isso é o que me importa,tudo o mais são pormenores.




segunda-feira, 23 de junho de 2008

Curioso


A maioria dos meus amigos não entra em êxtase quando chegam os saldos. Os meus amigos não deliram com o teatro. Os meus amigos não vibram com a feira do livro e os seus preços reduzidos. Os meus amigos até gostam de cinema, só não gostam do mesmo cinema que eu. A maioria dos meus amigos não ouve a mesma música que eu. A maioria dos meus amigos não tem os mesmos interesses que eu. A maioria dos meus amigos não vê a vida como eu.

Mas quando nos juntamos a festa é imediata e conseguimos falar cada um das suas coisas e da sua vida enquanto os outros escutam com interesse sincero por coisas que até nos podem não dizer nada pessoalmente.

E podia ser por isto que eu gosto deles.

Mala Aberta


Já tenho uma mala aberta,já lá pus umas calças e três camisolas.É oficial,vou-me mesmo embora no domingo!Quando vim para cá estava com medo…uma vida nova,um país novo com uma língua nova também apesar de tudo,sem amigos,apenas uma amiga,objectivos para cumprir,uma cabeça para acabar de pôr no sítio.Tudo correu bem,não espectacularmente bem,mas bem.Aprendi muito sobre mim,sobre os meus limites e aquilo que sou capaz de fazer.Hoje estou muito mais seguro de mim,muito mais capaz de ir atrás de aquilo que quero,seja em que área pessoal for,sem me pôr a pensar que se calhar não o mereço!Agora é tempo de voltar,não sei se é a melhor decisão,mas foi a decisão tomada e não ficar a pensar no que poderia ter sido,a vida acontece em qualquer lugar.Para trás fica tanta coisa,tanta coisa que pela primeira vez em muito tempo,nos últimos meses,senti dores de crescimento!Espera-me o meu Portugal,as minhas cidades,os meus amigos,a minha família.Estou ansioso e cheio de saudades de tudo,apesar de saber que daqui a umas duas semanas vou ter vontade de voltar outra vez para aqui.Penso mesmo que a vida desta cidade tem muito mais a ver comigo.Nenhuma porta fica fechada,tudo pode acontecer.E agora estou outra vez com um certo medo…do que me pode esperar…do que pode acontecer…mas estou seguro de mim e não estou assustado.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Viva a Normalização!!!?...


"Little boxes on the hillside,
Little boxes made of ticky tacky
Little boxes on the hillside,
Little boxes all the same,
Theres a pink one & a green one
And a blue one & a yellow one
And they are all made out of ticky tacky
And they all look just the same.

And the people in the houses
All went to the university
Where they were put in boxes
And they came out all the same
And theres doctors & lawyers
And business executives
And they are all made out of ticky tacky
And they all look just the same.

And they all play on the golf course
And drink their martinis dry
And they all have pretty children
And the children go to school,
And the children go to summer camp
And then to the university
Where they´re put in boxes
And they come out all the same.

And the boys go into business
And marry & raise a family
In boxes made of ticky tacky
And they all look just the same,
Theres a pink one & a green one
And a blue one & a yellow one
And they are all made out of ticky tacky
And they all look just the same."

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Último Vício

Gilberto

Aqui há tempos conheci o Gilberto. Encontrei-o na rua, sentado num banco de jardim com os seus andrajosos trajes e os seus sacos do lixo. Era claramente um sem abrigo e vi logo que essa pessoa não me interessava… não que seja preconceituoso, mas na verdade, que poderia eu ter em comum com um sem abrigo? Óbvio que nada… Estava há espera da Mariana e sabia que teria de esperar pelo menos mais uns vinte minutos, o mais pequeno dos seus atrasos! Estava cansado e não havia mais nenhum banco nas redondezas, então deixando para trás o meu medo dos maus cheiros daquele mendigo e o medo da possibilidade de que ele metesse conversa comigo, sentei-me na ponta oposta do banco. Relutante acendi um cigarro, sem ter tempo de sequer guardar o maço, Gilberto pediu-me um. Não costumo dar, mas como não estava para o aturar a refilar estiquei-lhe o maço e o isqueiro. Ele agradeceu, eu acenei sem olhar e guardei o maço e o isqueiro. “Já percebi, não conversas comigo…”, disse-me ele. Aí senti-me mal, sempre orgulhoso de não ser preconceituoso e ali estava a esnobar uma pessoa só porque era mendigo. Quis falar com ele, pedir-lhe desculpas, dizer-lhe que não era nada disso, que podia falar se quisesse, mas só me saiu “Inda bem que percebeu!”. Não creditei nas palavras que tinham saído da minha boca, eu não era assim! Gilberto acenou com a cabeça e continuo no seu canto a fumar o meu cigarro. Olhei-o, notava-se na sua expressão impávida, inexpressiva que já se havia habituado áquela resposta de pessoas estúpidas. Ele devia ter uns 45/50 anos, um ar limpo, dentro do possível e uma cara bonita. Fazia-me lembrar uma fotografia do meu bisavô que a minha avó sempre exibia com orgulho quando se falava do seu pai. Achei que estava a ser indelicado e virei o olhar, não o queria ofender. Passados uns incómodos 10 minutos Mariana chegou, cumprimentou-me, olhou Gilberto e disse “Ai pá que nojo de pedintes, estão em todo o lado”, ao que eu respondi “Ya, podes crer”. Ele continuou impávido e isso começou a irritar-me…acrescentei “Vamos embora antes que apanhemos alguma doença” e fomos. Ah, esqueci-me de comentar, isto foi há uns sete anos, hoje moro na terceira caixa multibanco da avenida da Liberdade do lado direito de quem desce, fumo quando me dão cigarros e como quando há comida. Partilho muitas vezes o banco de jardim com Gilberto e somos amigos. Ele não se lembra de mim, pelo menos nunca disse nada e eu também não… Nunca mais vi a Mariana.